Les Girls Eixo temático 1 – Os precedentes de Les Girls
Em 1957, estreou no cinema o filme Les Girls, com direção de George Cukor e estrelado pelo trio de atrizes Mitzi Gaynor, Kay Kendall, Taina Elg e o ator Gene Kelly. O filme tinha a seguinte sinopse: “Depois de escrever um livro escancarando seus dias de dançarina na trupe Barry Nichols and Les Girls, Sybil Wren (Kay Kendall) é processada por difamar sua antiga companheira de palco Angele (Taina Elg). Assim como no clássico Rashomon, de Kurosawa, aqui a narrativa se desdobra em três episódios para contar três pontos de vista. Sybil acusa Angele de ter tido um caso com Barry (Gene Kelly); Angele, em seguida, diz que foi a amiga quem se enroscou com o sedutor dançarino; mas Barry entra na história para dar a sua versão dos fatos.”
Tratava-se de uma narrativa simples, com franco apelo sentimental ao público sustentado por histórias de encontros e desencontros amorosos. Mas certamente foi a relação de amizade do trio de personagens femininas – embalada pelas relações de enganos/desenganos, por coreografias suntuosas, composições musicais preparadas por Cole Porter e um figurino glamoroso – o ponto de partida para a criação do show brasileiro.
Ainda no final dos anos 1950, a ideia central de três amigas que compartilham venturas e desventuras serviu de base para, em Paris, serem realizados os primeiros espetáculos com travestis explorando e dramatizando situações cotidianas no palco.
No Brasil, uma espécie de pré-Les Girls foi apresentado em julho/agosto de 1964, na boate Stop Club, na Galeria Alaska. Era o espetáculo International Set. O show mereceu duas páginas na edição da revista Manchete de 8 de agosto e pareceu ser composto por cinco travestis. Como legenda de uma das fotos, o editor registrou: “Seus pseudônimos artísticos variam entre o cômico e o grotesco: Bijou Blanche, Brigitte de Búzios, Manon Lascaut e Rogéria, Cravo e Pilhéria. Cantam com voz de falsete, mas dão-se ao luxo de jamais desafinar.” Além das quatro, havia também Marquesa, Gigi e Mamália Rodrigues.
Em outra legenda, o editor comenta: “Embora alguns dos travestis trabalhem em ateliers de costura, nem sempre os seus figurinos primam pelo bom-gosto. Em compensação, as perucas com que se apresentam no show são impecáveis.”
A Revista do Rádio também fez uma matéria sobre o show com o título “Eles imitam elas…”.
