Angela Ro Ro - Como as canções, as paixões e as palavras

Por Rita Colaço-Rodrigues*

Como as canções, as paixões e as palavras

“Como é bom fazer a festa
Ao invés de pela fresta
Ver a vida se esvaindo sem viver” – Abre o coração!

“Loucura é loucura, não me compreenda
Loucura é loucura, pior é a emenda
Loucura é loucura, não me repreenda
Eu amei demais!” – Mares da Espanha

“Sou uma moça sem recato
Desacato a autoridade
E me dou mal
Sou o que resta da cidade
Respirando liberdade por igual
Viro, reviro, quebro e tusso
Apronto até ficar bem ruço
Meu medo é minha coragem
De viver além da margem
E não parar
De dar bandeira a vida inteira

Mesmo sabendo que é abuso,
Antes de ir,
Agito e uso.” – Agito e uso

A tristeza se abateu sobre nós, ontem, com a notícia do falecimento da incrível Ângela Ro Ro. Sabíamos que estava doente e em estado grave. Mas o fato da perda é sempre um impacto. Foi doloroso saber de suas dificuldades financeiras, ela que tanto sucesso fez na MPB e tanta coisa bonita criou.

Ângela e suas canções, sua voz potente e estilo peculiar, embalou a todas nós desde o final da década de 1970.

Desabrida, ela falava de emoções que eram nossas, quando a regra era a dissimulação, a hipocrisia, o jogo de cena. Pagou, e muitas vezes, o preço de ser “fora da curva”.

Fiquemos com o bom que ela nos proporcionou – o seu canto, as letras de suas canções, a sua sinceridade no seu jeito de ser quem era.


*Historiadora.

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