Um túmulo para Cassandra Rios

Conclamamos a população LGBTI+, principalmente em São Paulo, mas não apenas, a lutar para garantir que os restos mortais da grande Cassandra Rios tenha uma sepultura digna e definitiva.

Em 2022, as historiadoras Kyara Almeida (curadora da exposição A Menina da Pastinha – Cassandra Rios faz 90 anos, no Museu Bajubá) e Rita Colaço-Rodrigues foram surpreendidas com a notícia, por parte da administração do Cemitério Santo Amaro, de que o jazigo perpétuo onde a escritora havia sido sepultada fora revendido em 2019. Além disso, elas souberam que os restos mortais de Cassandra Rios e do seu pai (ali também sepultado) estavam no ossário público do cemitério.

As imagens do deteriorado túmulo onde Cassandra estava sepultada são de 2013 e foram cedidas por Jandiro Adriano Koch. Elas faziam parte de uma publicação no Instagram, acompanhadas do seguinte texto:

“Ao final da vida, Cassandra Rios, a escritora que mais vendeu no Brasil parece ter lidado com alguns problemas. Dizem alguns que era acumuladora. Não tive muitas ratificações dessa informação para dizer amém. Quando faleceu, passou em silêncio, ganhou notas sem relevância em alguns jornais. Dizem que eram quatro pessoas em seu sepultamento. Visitei o jazigo, chão batido, onde estava repousando junto com o pai Graciano e a irmã Ruth. Tirei algumas fotografias, mas não havia nenhuma menção ao nome da Cassandra – ou Odette, o nome de batismo. Cemitério de Santo Amaro, em São Paulo. A administração avisou sobre pendências financeiras e que havia risco de remoção. Avisei familiares. (Depois soube que era um jazigo cedido para a mãe da Cassandra, que havia somente a incumbência de conservar o local) Conversei com algumas pessoas e sugeri colocarem uma indicação, acreditando que a referência evitaria alterações. Anos depois, ao organizarem uma rota turística de pontos familiares a Cassandra, em São Paulo, me contataram. Creio que foi o pessoal do Museu da Diversidade. Avisei que a sepultura poderia ter sido substituída. Foram conferir. Cassandra fora levada para um ossário. A sepultura da foto não existia mais. (Soube recentemente que, com o falecimento dos parentes próximos e com a mudança de outros para o Rio de Janeiro, a manutenção deixou de ser possível, o que causou uma espécie de reintegração do jazigo pela administração). A mais bem sucedida vendedora de livros do país. A mais insistente e vanguardista em tema lésbico e travesti. A mais perseguida pela Ditadura (e antes da Ditadura). A mais ousada ao publicar sobre esses temas quando era proibido. Um vacilo da comunidade LGBTQIAPN.”

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