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Babados da hora

Babá, uma bicha preta e pobre do século XIX no Rio de Janeiro

Mais um trabalho de pesquisa histórica sobre a presença, formas de vida, resistência e percepções das “homossexualidades” no Rio de Janeiro! O historiador Jandiro Adriano Koch nos brinda com mais um trabalho. Trata-se de Babá – Esse depravado negro que amou.

Jandiro, natural de Estrela, no Rio Grande do Sul, por muito tempo foi cronista em jornais como A Hora e O Informativo do Vale. Tem cinco livros publicados, todos abordando as “homossexualidades” no seu estado: a coletânea de crônicas [Ir]reflexões & Ensaios (2011); Sexo, norma e desvio: defloramentos, doenças venéreas, homossexualidade e prostituição na história de Estrela e de outras cidades sul-riograndenses do séc. XIX à atualidade (2012) e Um baile misturado: (sobre)vivências LGBT e negras no Vale do Taquari (2017), pela Editora da Univates; Sociedade à Espreita, (2019), pela editora Buqui, e, este, Babá, pela Libretos.  
Neste, porém, embora ele siga cuidando do seu estado de origem, já que parte da produção textual do literato Pardal Mallet, ali nascido, assinada em coautoria com Coelho Neto e Paula Ney, termina por realizar grande contribuição para o conhecimento dos modo de ser e viver de libidinosos, pederastas, libertinos, “eunuco[s] de lupanar”, efebos e efeminados na cidade do Rio de Janeiro durante a segunda metade do século XIX.

Em 1889, no Rio de Janeiro, uma morte em especial foi registrada pelos editores do panfleto O Meio, em necrológio assinado em conjunto por Pardal Mallet, Coelho Neto e Paula Ney. No pequeno jornal antimonarquista, os escritores abordam as relações homoeróticas na noite carioca, em um mundo de réplicas, tréplicas, apelidos e fofocas, onde não falta um caso de amor não correspondido. Segundo eles, em outros tempos Babá seria homenageado por amar tanto como os deuses no Olimpo e não mereceria apenas uma cova rasa. Jandiro Adriano Koch parte dessa efervescência cultural e noturna entre poetas, intelectuais e profissionais do sexo no Largo do Rocio para propor reflexões sobre a população LGBTQI+ na sociedade brasileira. Um registro raro, que encontra na pesquisa acadêmica um longo caminho a ser percorrido.

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