Celebramos os 110 anos de nascimento de Zilah Corrêa de Araújo
Por Luiz Morando*
Zilah Corrêa de Araújo foi advogada e escritora. Ela nasceu em Campo Belo (MG) em 18 de março de 1916, passou parte da infância em São João del Rei e depois migrou com a família para Belo Horizonte, onde residiu até falecer, em 2 de agosto de 1975, com 59 anos.
Ela cresceu em um ambiente bastante favorável à sua futura dedicação à literatura. Era irmã mais velha de Laís Corrêa de Araújo, poeta e jornalista casada com Affonso Ávila, poeta e grande pesquisador da arte barroca mineira. Uma outra irmã, Maria Lysia, também foi escritora, atriz e musicista.
Cursou, na então Universidade de Minas Gerais (futura UFMG), Ciências Econômicas e Direito. Atuou como advogada ao mesmo tempo em que escreveu e publicou seus livros.
Sua carreira literária foi desenvolvida com o pseudônimo de Bárbara de Araújo.
Na década de 1950, publicou três contos na prestigiosa revista O Cruzeiro (“Insônia”, edição de 15/09/1951; “As mãos de Sinhana”, edição de 16/02/1952; “O presente”, edição de 25/07/1953) e cinco em A Cigarra (“O quatro”, edição de outubro de 1954; “Brinde”, edição de maio de 1955; “A carta”, edição de março de 1956; “O banco do jardim”, edição de novembro de 1957; “História de Natal”, edição de dezembro de 1957).
Seu primeiro romance, Uma flor sobre o muro, foi publicado inicialmente em 25 capítulos semanais em O Cruzeiro, entre 29/12/1951 e 14/06/1952. Saiu em volume em 1955 e recebeu o Prêmio Othon Lynch Bezerra de Mello, da Academia Mineira de Letras, em 1956.
Aliás, apenas um de seus livros não recebeu uma premiação: Loja das ilusões (romance), publicado em 1954, recebeu o Prêmio Júlia Lopes de Almeida, da ABL, em 1955; Marta, Marta recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte em 1958; A flor do tempo saiu em 1963; E oferecerás a tua outra face (contos) recebeu o Prêmio Academia Paulista de Letras em 1969 e foi publicado em 1972; O bezerro de ouro (contos) recebeu o Prêmio João Alphonsus, da Secretaria de Educação de Minas Gerais, em 1961 e foi publicado em 1970.
Zilah Araújo ainda colaborou com reportagens literárias e textos de ficção no Suplemento Literário de Minas Gerais.
Outro marco de sua trajetória foi ter sido admitida, em fevereiro de 1959, junto com outras três mulheres – Henriqueta Lisboa, Lúcia Machado de Almeida e Francisca Rodrigues Gregory – como sócias do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, após a reforma dos Estatutos daquela instituição.
Dois dias após seu falecimento, o Jornal do Brasil (ano LXXXV, n. 118, 04/08/1975, 1º Caderno, p. 12) publicou este necrológio, com pequenos erros mas com algumas novas informações sobre seu percurso de vida:
“Zilá Corrêa de Araújo, aos 57 anos, em Belo Horizonte. Mineira de Campo Belo, morava na capital. Escritora (usava o pseudônimo de Bárbara de Araújo) publicou, entre outros, os livros Uma flor sobre o muro (prêmio da Academia Mineira da Letras), Loja das ilusões (prêmio da Academia Brasileira de Letras e Prêmio Cidade de Belo Horizonte) e Oferece a outra face (prêmio nacional de romance, da Academia Paulista de Letras). Em 1971, obteve o 3º lugar no Concurso de Contos do Paraná e por duas vezes recebeu a Medalha da Inconfidência do Governo Mineiro. Advogada, foi por duas vezes conselheira da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil. Era solteira.”
*Luiz Morando é co-fundador do Museu Bajubá, onde exerce a vice-presidência e a coordenação da Estação Belo Horizonte.
Fotos
Imagens 1: Acervo de Escritores Mineiros, ufmg.br. Informações: arquivoaem@gmail.com.
Imagem 2: A CIGARRA (SP). Ano 1970, edição n. 8. Hemeroteca Digital Brasileira.
Imagem 3 e 4: reprodução da internet, capas de livros.