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| Gab Beck |
Beck estava preso porque para além de judeu era homosexual. O campo onde estava não era para judeus, era para os homosexuais.
Convém lembrar, sem obviamente desvalorizar toda a tragédia do povo judeu, que a perseguição nazi se estendeu também aos homosexuais e se intensificou a partir de 1933.
Antes da segunda guerra, o companheiro de Beck foi preso e Beck disfarçou-se de soldado da juventude hitleriana e foi exigir a sua libertação no campo de pré-deportação onde ele estava com a família. A operação, quase a nível de filme mas real, correu com sucesso. Beck pediu que soltassem “um judeu ladrão que ali estava, que lhe tinha ficado com as rendas da família”. Assim foi. Caminharam para fora do campo e antes mesmo de sair, o companheiro de Beck disse que não podia, que não era capaz de deixar a família. Voltou novamente para o campo de onde foi deportado com a família e posteriormente mortos. Desde aí, Beck dedicou uma vida à resistência até ser preso no início dos anos 40 e libertado no último dia da guerra. Mas para os homosexuais alemães a guerra nunca acabou pois, segundo o famoso parágrafo 175, ainda eram vistos como criminosos. Até morrer, Gab Beck lutou pelo fim do parágrafo que lhe condenava a existência e por direitos iguais. Morreu em 2002.”
Segundo a Enciclopédia do Holocausto, do Memorial Museu do Holocausto, nos EUA, consta que
“Gad nasceu em 1923, em Berlim. Seu pai era um imigrante judeu da Áustria. Sua mãe se converteu ao judaísmo. A família vivia em uma parte pobre de Berlim, habitada predominantemente por imigrantes judeus do leste europeu. Quando Gad e sua irmã gêmea, Miriam, tinham 5 anos, os Becks se mudaram para o distrito de Weissensee, em Berlim, onde ele ingressou na escola primária.
1933-39: Gad tinha apenas 10 anos quando os nazistas chegaram ao poder. Parte de um pequeno número de alunos judeus em sua escola, ele rapidamente se tornou alvo de comentários anti-semitas: “Posso sentar em outro lugar, ao invés de ao lado de Gad? Ele tem pés judeus fedorentos”.
Em 1934, seus pais o matricularam em uma escola judaica. Mas ele teve que abandoná-la no ano seguinte, aos 12 anos, pois eles não podiam mais pagar as mensalidades. Gad passou a trabalhar como assistente de loja.
1940-44: Como filho de um casamento misto [Mischlinge], Gad não foi deportado para o leste quando outros judeus alemães o foram. Permanecendo em Berlim, se ligou a grupos de resistência clandestinos, ajudando os judeus a fugir para a Suíça. Como homossexual, ele pôde recorrer a seus conhecidos homossexuais não-judeus e confiáveis para ajudar a fornecer comida e esconderijos. No início de 1945, um espião judeu da Gestapo traiu Gad e vários de seus amigos clandestinos. Ele foi internado em um campo de trânsito judeu em Berlim.
Após a guerra, Gad ajudou a organizar a imigração de sobreviventes judeus para a Palestina. Em 1947 ele partiu para a Palestina e retornou a Berlim em 1979.”
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