Um dos maiores empreendimentos imobiliários do final dos anos 1950 em Belo Horizonte, o Edifício Archangelo Maletta foi inaugurado em 30 de novembro de 1961, no cruzamento da rua da Bahia com avenida Augusto de Lima. No térreo são 72 lojas; na sobreloja, são mais 74. Acima da sobreloja, erguem-se 26 andares: um lado comercial, com 642 salas, e outro residencial, com 319 apartamentos. Em 1964, o prédio possuía, no térreo e na sobreloja, 22 pontos comerciais noturnos: 13 bares, três boates, quatro restaurantes e duas lanchonetes.
A alta concentração de bares e boates frequentados, entre outros, por intelectuais, artistas, 'transviados', 'cabeludos', 'mulheres da vida' e 'anormais' não daria em outra - logo despertou a atenção da polícia, movida pela reclamação dos moradores do edifício e da circunvizinhança. Com o tempo, os jornais passaram a se referir a ele como o 'Alaska de BH' (remetendo à mal-afamada galeria de Copacabana, no Rio) ou 'Esquina do Diabo'. Já em agosto de 1963, virou alvo de batidas policiais. Em 1965, a polícia instalou um ponto de ação em uma das lojas do térreo. No ano seguinte, a administração do condomínio planejou instalar catracas nas entradas. Em 1968, foram instalados portões de ferro, com padrão sanfona. Enfim, o Maletta não escapou ao que ficou mais conhecido como Operação Limpeza das polícias.
Por fim, com a finalidade de embelezamento da avenida Augusto de Lima (dentro de um projeto de grandes mudanças na circulação viária da cidade), foi construída uma pequena 'praça' com fonte d'água no canteiro central da avenida, em frente à entrada do Maletta. Essa ‘praça’ também se constituiu como ponto de encontro de gays e travestis, seja para irem ao Maletta ou para partirem para outro local. A 'praça' foi demolida em 1969.
Alguns estabelecimentos comerciais do Maletta nos anos 1960 foram frequentados pela população LGBTI+. Eles aparecem no mapa como pontos específicos: os bares Nosso Encontro e Three Glasses.
Autoria: Luiz Morando.