Oi Míriam
Bem, a idéia não é jornalística ou de necessário confronto com fontes documentais, embora possam vir sob a forma de comentários.Pensei em duas possibilidades, tomando em vista os recursos da ferramenta.
Uma, seria colocar estes agentes como autores no blog. Eles mesmos postariam as suas memórias. A complementação dos fatos narrados poderiam vir através de comentários e também através de postagens de outros agentes/autores.
Uma outra seria – mais trabalhosa, pois requereria um trabalho de pesquisa e sistematização – compilar estes relatos fragmentados e dispersos e, em obtendo a autorização de seus autores, colocá-los no blog, de uma forma sistematizada que poderia ser época/cidade/atividade. A partir desse primeiro trabalho, os autores dessas mensagens memorialistícas poderiam vir ao blog complementá-las.
Por exemplo. Se iniciarmos o tema “PARADAS”, pode-se buscar as discussões aqui já havidas e procurar sejam por seus autores complementadas, travando-se – espera-se – uma conversa, algo como uma grande reunião de rememoração, ainda que virtual.
A idéia de “obra aberta” me agrada por vários motivos, embora traga seus próprios problemas. Entre os aspectos que vejo como positivos, é a construção conjunta da memória de algo que igualmente foi fruto de elaboração coletiva.
Embora construída em grupo, cada uma dessas memórias é individual, no sentido de ser o modo de apreensão pessoal daqueles eventos; fruto da subjetividade de cada qual.
É rico ver como cada qual fixa determinados aspectos enquanto outros são apagados. Esse mosaico, mais do que qualquer “produto oficial” é para mim dotado de sua própria importância e beleza, em nada competindo com a historiografia nos moldes acadêmicos.
Por outro lado, tanto esse modelo de construção quanto de disponibilização, ao meu ver, possibilitam uma maior acessibilidade e proximidade do segmento social que é o “proprietário final” dessas memórias – no sentido de ser sua bagagem sóciocultural esse acervo memorialista.
A narativa em primeira pessoa é singular porque faz aportar os sentidos, para o próprio agente, do processo histórico vivenciado e construído. Coisa que é bastante medidada no processo historiográfico e jornalístico.
De novo: não se trata de competir, qualificar ou desqualificar modalidades discursivas. Apenas iniciar um processo de valorização e reunião das memórias desses agentes.
– Uma grande celebração do nós: do sentido de resistência, inventividade, associação, cooperação, comprometimento.Uma semelhante proposta, se vier a contar com a adesão de seus principais personagens para deflagrá-la, será geradora de autoestima, sentido de possibilidade de transformação social, sentimento de pertença, de integração coletiva, fornecendo material para ser trabalhado em oficinas de diversos espaços e sob variados propósitos (além dos acima mencionados).
Além, é claro, de poder ensejar a produção de produtos outros – como vídeos, material didático para formação etc. Nos mesmos termos do Museu da Pessoa, a questão autoral ficaria restrita a usos não comerciais.
Como você(s) vê(em) essas minhas considerações?
Abs,Rita