Rosa Brucutu e CLD - 1967 - EP.7

Por Luiz Morando*

O jornal Luta Democrática, de 3 de agosto de 1967, estampou em sua primeira página a manchete “Loura bonita ‘casou-se’ com a lésbica numa festa de ‘embalo’”. Logo abaixo da manchete, acrescentou: “Polícia assistiu, atônita, a cerimônia dedicada ao diabo – Presença de homens quase interrompeu o ritual máximo do quarto sexo – Rosa Brucutu é agora marido da Gatinha – Proliferam os estranhos consórcios entre mulheres, preocupando as autoridades policiais”. É muito curioso ver expressões muito pouco usadas para se referir a lésbicas como “quarto sexo” (o terceiro sexo seria alusão a homens homossexuais) e a afirmação de que essas cerimônias de compromisso se proliferavam em São Paulo!

A polícia recebeu uma denúncia anônima de que uma “festa de iê-iê-iê com bebidas na base de bolinhas e entorpecentes” estava acontecendo na boate Pipoca, na rua Frederico Steidl, na capital paulista. O delegado Orlando Rosante tomou o rumo da boate e assistiu à realização da cerimônia em que Rosa Brucutu se uniu a CLD, conforme a reportagem. Porém, ele não fez prisões e prometeu fazer “um estudo mais acurado sobre esse tipo de casamento”.

O repórter reforça no seu texto que “O compromisso matrimonial entre lésbicas e mocinhas inexperientes, que se deixam entregar aos vícios de toda espécie, vem se tornando rotina na capital bandeirante, nãos endo permitida a presença de homens nos embalos das moderninhas, que culminam em casamento”. É sempre comum a imagem de uma lésbica adulta seduz e desvia do ‘bom caminho’ uma adolescente inexperiente… Quanta inocência!!

*Luiz Morando é co-fundador do Museu Bajubá, onde exerce a vice-presidência e a coordenação da Estação Belo Horizonte.

Fotos:

1. Casamento de Rosa Brucutu. Luta Democrática, Rio de Janeiro, ano XIV, n. 4.135, 03/08/1967, p. 1. Acervo: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

2.Casamento de Rosa Brucutu. Luta Democrática, Rio de Janeiro, ano XIV, n. 4.135, 03/08/1967, p. 7. Acervo: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

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