Li sobre o bailarino e cenógrafo português Valentim de Barros ao mesmo tempo em que soube que a homossexualidade era criminalizada em Portugal, e os réus condenados a pagar pelo seu crime com o internamento em instituições psiquiátricas onde, entre os “tratamentos” estava a lobotomia – à revelia, claro! Isso foi o que sucedeu com o artista, em junho de 1948, sob um diagnóstico psiquiátrico de “psicopatia homossexual. Pederasta passivo.” Foi por meio de uma postagem de André Murraças no Facebook.
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| Valentim de Barros em 1968. Foto de José Fontes |
André é o autor do projeto Queerquivo, onde busca recuperar a memória de personagens “LGBT” da cultura portuguesa.
Eu havia tido honra de receber do André, a quém conheci em Berlim, na ALMS Conferência, um exemplar do Queerquivo no suporte papel. (Na verdade, dois, um destinado – e com dedicatória – para o Acervo Bajubá.) André Murraças foi o falante de língua portuguesa que se ofereceu para me ajudar em minha apresentação na Conferência, dado que eu não podia apresentá-la em inglês (e a promessa de intérprete, formulada pela Organização, não se concretizou.). Ao final quem fez a fala em inglês foi o também querido Rubens Mascarenhas Neto, que lá estava como voluntário. Por conta da rica e intensa programação da Queering Memory, não tivemos mais, eu e André, outras oportunidades de interação. Mas o seu gesto de solidariedade me marcou e não esqueço.
Retornando para casa, tomada pelos vários compromissos, a leitura do livro Queerquivo terminou ficando na fila, entre os muitos outros. Com a surpresa diante das revelações da postagem do André sobre o trato da homossexualidade no século XX em Portugal, e o desejo de mais informações a respeito, André me falou que no Queerquivo havia um texto sobre o Valentim de Barros.
Pois é esse texto que vos convido a ler, ao tempo em que os convido a conhecer o trabalho do André, principalmente com o Queerquivo.
Mas sigo no aguardo da promessa dele em fornecer maiores fontes de informação acerca do trato da homossexualidade em Portugal, nesse contexto de criminalização e patologia.
Uma das consequências importantes de minha participação na ALMS Conferência de Berlim foi o estabelecimento de contatos com esses companheiros de luta pela nossa memória e história, principalmente da América Latina e Portugal, por conta da proximidade linguística. Vez que, embora a proximidade cultural e histórica, pouco sabemos dos nossos vizinhos hispano hablantes, como de Portugal e demais países de língua portuguesa.
Com vocês, Valentim de Barros, através de Antônio Fernando Cascais, no Queerquivo, e em outros textos:
Valentim de Barros foi submetido a internação em instituição psiquiátrica entre 1939 e 1986. Seu crime e sua doença, a homo ou transexualidade (visto que gostava de se vestir com roupas tidas como do gênero feminino).
https://lifestyle.sapo.pt/vida-e-carreira/noticias-vida-e-carreira/artigos/valentim-de-barros-o-bailarino-a-quem-roubaram-a-vida
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