Você conhece a contribuição dos efeminados (bichas, travestis) para o carnaval carioca?
Por Rita Colaço-Rodrigues*
As escolas de samba cariocas têm homenageado algumas personagens “LGBT” importantes para o Carnaval e para a cultura nacional de maneira geral – ainda que não necessariamente mencionando diretamente a sua orientação sexual. Já foram celebrizadas personalidades como Clóvis Bornay, Joãosinho Trinta, Madame Satã, Mariele Franco, Cazuza, Maria Bethânia, entre outras. O ápice talvez tenha sido em 2025, com a homenagem da escola de samba Unidos da Tijuca ao mito de Xica Manicongo, fato que inequivocamente trouxe ganhos em termos de reconhecimento e da luta pela efetividade dos direitos fundamentais.
Falta, contudo, um enredo tão corajoso quanto, que traga a contribuição determinante de homossexuais (efeminados na maioria) e travestis ao processo de construção dessa festa sem igual, que saiu dos limites cariocas, expandindo-se para outros estados e se convertendo em uma das marcas características de nossa identidade nacional.
A modo de estímulo, o Museu Bajubá apresentará, em junho, uma exposição demonstrando, em linhas muito breves, a presença desses personagens nos festejos de Momo, ao longo das décadas, desde o século XVII e sua participação ativa na construção e consolidação do Carnaval carioca como o grande espetáculo que é.
Sempre estivemos aqui. Sempre!
Figari (2007) menciona a existência, no Rio de Janeiro, desde meados do século XVII, de uma companhia militar, travestida, devassa e foliã, formada pelos estudantes do Collegio Jesuíta, no morro do Castelo, chamada por eles mesmos de a Festa das Onze Mil Virgens – “parece ter sido uma mistura de ‘carnaval’ e parada militar”. Segundo o autor, mesmo em suas limitações históricas, foi “provavelmente” um espaço “privilegiado de encontro, socialização e experimentação homoerótica” (p. 128).
*Historiadora.
Referências:
FIGARI, Carlos. @s outr@s cariocas: interpelações, experiências e identidades homoeróticas no Rio de Janeiro: séculos XVII ao XX. Belo Horizonte: Ed. UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2007.
Fotos
Imagens 1 a 8: Acervo pessoal de Luiz Morando.
Imagem 9: Disponivel em: wikimedia.org – Evandro Castro Lima, Carnaval do Rio de Janeiro, 1968 – Autor Geraldo Viola, Rio de Janeiro, Brasil.
Imagem 10: Rev. Manchete, 24-03-84, Acervo Museu Bajubá – Homenagem à Nijinski, hors concours