Daniel Fraga

Daniel Fraga

Para lembrar Cazuza

Hoje, lembramos o nascimento de Cazuza, que foi um artista bissexual - cantor, compositor, letrista e poeta, que ficou famoso primeiro como vocalista da banda Barão Vermelho nos anos finais da ditadura militar e depois seguiu carreira solo. Nos anos 1980 e em 1990 a trajetória de Cazuza foi permeada por sua grandiosa interpretação musical e poesia, mas também por seu adoecimento pela AIDS, contra a qual ele lutou com alguns dos melhores recursos disponíveis à época. Infelizmente, as complicações decorrentes da doença o vitimaram em julho de 1990.

Um casamento gay há 73 anos, na Lapa, RJ

Na segunda-feira 24 de março de 1952, um dos maiores jornais do país expunha as imagens, os nomes, locais de trabalho e endereços residenciais de 31 homens, todos maiores. Eles foram levados para a Delegacia de Costumes e Diversões pelo comissário Deraldo Padilha, o terror de viados, bonecas, travestis e prostitutas e casais de namorados.
Motivo?
Estavam, no interior da residência de quatro deles, celebrando o casamento de dois amigos.
Luiz Morando localizou este registro. Puxa uma cadeira, pega um café ou uma cerveja e vem conhecer esse babado em detalhes.

A palavra é: Mojubá (republicando; corrigido e ampliado)

Trazemos outra vez as significações desse vocábulo, agora na forma de citação. Corrigimos as referências à sua origem, acrescentamos outras acepções localizadas e posicionamos o iorubá no interior da classificação dos grupos linguísticos africanos efetuada por Greenberg e Güthrie (apud Yeda Castro, 2001, p. 27-28).

Esperamos que vocês gostem tanto quanto nós, ao fazê-lo!

A palavra é: Aquendar/acuendar

É dos termos africanos polissêmicos por excelência, o que nos permite ter noção (pequena que seja) da riqueza desses idiomas. No Aurélia, Angelo Vip e Fred Libi (s/d. [2006?], p. 20) registram: “Chamar para prestar atenção; prestar atenção; 2. Fazer alguma função; 3. Pegar; roubar. Forma imperativa e sincopada do verbo kuein!”.

Para lembrar Evandro de Castro Lima (1920-1985)

A presença bajubá no carnaval é antiga, constituindo-se em um marco interpretativo na história de nossa população. Inúmeras vezes, foram a relativa “licença” fornecida pelos dias de Carnaval e os espaços de liberdade dele decorrentes que nos permitiram em outros tempos manifestar identificações, afetos subalternizados e o potencial criador de integrantes da nossa população. Nesse sentido, tivemos e ainda temos carnavalescos cuirs que entraram para a história dessa festa. Em janeiro, escrevi sobre Clóvis Bornay; agora, fecho este carnaval escrevendo sobre Evandro de Castro Lima.

A palavra é: Maria Padilha

Nos cultos de umbanda, ela é tida como a mais popular das pombagiras e a mais forte/poderosa. Como toda pombagira, representa um feminino belo, luxuriante, manipulador. Há quem lhe diga negra, princesa africana; há quem lhe diga branca e princesa; há quem lhe diga professora; e há, também, quem lhe diga ter poderes de realeza, sendo a mãe de Pombagira e a mulher de Lúcifer, comandando uma falange de Exus (Meyer, 1993, p. 110-115). Olga Gudolle Cacciatore (1988, p. 171) registra que, na quimbanda (umbanda que pratica “magia negra”, segundo a mesma, p. 219), Maria Padilha pertence à “falange da Linha dos Cemitérios” (sic).

A palavra é: Pombagira

Entidade de culto no rito congo-angola e umbanda, equivalente a Exu, em sua versão feminina. Feminino aqui enquanto produto da aculturação, pois, originalmente Exu, assim como todos os demais orixás africanos, segundo Raul Lody (apud Meyer, p. 99), apresentam uma bissexualidade que lhes é originária – não partilhando, portanto, da mesma concepção binária e opositora dos gêneros que estrutura a cultura judaico-cristã.

Referências do minivocabulário de palavras afrobrasileiras

Referências do minivocabulário de palavras afrobrasileiras Referências CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário de Cultos Afro-brasileiros. Rio de Janeiro: Forense, 3a. edição revista, 1988, 264p. CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: ABL/Topbooks, 2001. 366p. CASTRO, Yeda…

Reflexões para um Dia da Afirmação Gay – 28 de fevereiro

Quando buscamos pela data de 28 de fevereiro como Dia da Afirmação Gay os resultados nos levam a quatro anos atrás para um anúncio feito pelo antropólogo Luiz Mott, figura emblemática do movimento LGBTI+, divulgado por nossa imprensa gay. Nessas notícias, a data remonta à fundação do Grupo Gay da Bahia (GGB), liderado por muito tempo por Mott (atualmente, seu presidente de honra), e a atitude de afirmação homossexual preconizada pelo grupo Somos, na primeira onda do movimento social.

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